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Controle de Ferramentas no Almoxarifado: Como Saber Quem Está Com Cada Item Sem Depender da Memória do Almoxarife

Atualizado em 14 de maio de 2026 | Tempo de leitura: 10 minutos

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Material consumível some e você repõe. Ferramenta some e você compra de novo a mesma coisa, sabendo que ela está em algum lugar da empresa. Esse artigo mostra como controlar furadeira, andaime, multímetro e tudo que sai para ser usado e devolvido, registrando quem pegou, quando deveria voltar e o que ainda não voltou, sem isso virar trabalho de detetive do almoxarife.

1. Ferramenta não some igual material some

No almoxarifado, existem dois tipos de coisa saindo da prateleira, e eles se comportam de jeitos diferentes.

O material consumível sai e não volta. Parafuso, fita, graxa, luva, eletrodo. Quando some, some de vez: ou foi usado, ou foi desperdiçado, ou foi desviado, mas de qualquer forma ele não está mais em lugar nenhum. O controle aqui é de quantidade e de saída.

A ferramenta sai para ser usada e tem que voltar. Furadeira, marreta, andaime, multímetro, escada, talhadeira, instrumento de medição. Quando ela "some", quase nunca sumiu de verdade: está na mão de alguém, no carro de alguém, esquecida numa obra, guardada na gaveta de um setor. O problema não é que ela deixou de existir; é que ninguém sabe com quem ela está.

É por isso que controlar ferramenta com a mesma lógica de material consumível não funciona. Dar uma "saída" na furadeira e pronto significa que ela desaparece do seu controle no momento em que sai, mesmo que continue sendo da empresa. Daí a duas semanas alguém precisa dela, ninguém acha, e a empresa compra a segunda. Em seis meses são três furadeiras compradas, e provavelmente as três ainda existem, espalhadas.

O controle de ferramenta precisa registrar uma coisa a mais que o material comum não exige: o caminho de volta. Quem pegou, quando deveria devolver, e se devolveu.

2. O primeiro passo: marcar a ferramenta como item não consumível

Antes de qualquer rotina, o sistema precisa saber que aquele item é uma ferramenta, e não um consumível. Isso se resolve no cadastro do produto, com um atributo simples: consumível ou não consumível.

Parafuso, fita e graxa ficam como consumíveis. Furadeira, andaime e multímetro ficam como não consumíveis. Essa única marcação muda o comportamento do item dentro do sistema: a partir dela, quando a ferramenta sai, o sistema não trata aquilo como um gasto definitivo. Trata como um empréstimo em aberto, que ainda espera um retorno.

Vale fazer essa classificação com calma na hora de montar o catálogo, porque ela é a base de tudo que vem depois. Item não consumível mal cadastrado como consumível volta a sumir do controle na saída; consumível cadastrado como não consumível fica gerando "pendência de devolução" para coisa que nunca vai voltar. Na dúvida, a pergunta é direta: esse item, depois de usado, volta para o almoxarifado? Se volta, é não consumível.

3. A saída: quem pegou e quando deveria devolver

Com a ferramenta marcada como não consumível, a saída dela deixa de ser um evento solto e passa a ter dois dados que mudam tudo.

O primeiro é quem pegou. A ferramenta sai vinculada a um requisitante, do mesmo jeito que qualquer requisição de material. O mecânico, o eletricista, o encarregado da obra, o técnico de manutenção. A diferença é que, por ser um item não consumível, ela não some do controle: fica registrada como "em uso", atribuída àquela pessoa, em vez de virar só uma baixa de estoque.

O segundo é quando ela deveria voltar. Ao dar saída de um item não consumível, o Almoxarifado Online obriga a informar a data prevista de devolução. Não é um campo opcional que cai no esquecimento; é uma exigência da própria operação de saída. Quem está emprestando a ferramenta tem que dizer para quando ela está prometida de volta.

Esses dois dados juntos transformam o controle. Em vez de "saiu uma furadeira", o registro passa a ser "a furadeira X saiu com o João, da manutenção, no dia 5, prevista pra voltar dia 12". Isso não depende mais da memória de ninguém, e não some quando o almoxarife sai de férias.

Quando a ferramenta está amarrada a uma obra ou equipamento.

Em algumas operações, não basta saber quem pegou. Interessa saber para onde a ferramenta foi: qual obra, qual frente de serviço, qual equipamento ela está atendendo. Para esses casos, o produto pode ser marcado também como aplicação obrigatória, e aí toda saída exige informar esse destino. Funciona bem quando a ferramenta acompanha uma equipe que está alocada num lugar específico, e você quer conseguir responder depois "quais ferramentas estão hoje na obra do Edifício Central?". É um controle a mais, opcional, que se soma ao registro de quem pegou.

4. A devolução: fechar o ciclo

Saída sem devolução é meia rotina. O que fecha o controle de ferramenta é o momento em que ela volta e isso fica registrado.

No Almoxarifado Online, isso acontece no módulo Devolução de Produtos não Consumíveis. Quando a ferramenta retorna ao almoxarifado, lança-se a devolução por ali: o item sai do estado "em uso" e volta para o estoque disponível, pronto para ser emprestado de novo. O ciclo daquele empréstimo se fecha, e fica tudo no histórico do item: saiu no dia tal com fulano, voltou no dia tal.

A devolução não precisa ser de tudo de uma vez.

Nem sempre a ferramenta volta inteira no mesmo dia. Alguém pegou 5 escadas para uma frente de serviço e devolveu 2 hoje, com as outras 3 ainda em campo. O módulo aceita isso: você registra a devolução parcial, e o sistema vai controlando, para cada saída, a quantidade total que saiu e a quantidade já devolvida. O empréstimo continua em aberto pelo saldo que falta, e você lança as devoluções aos poucos, conforme o material vai voltando, até zerar.

Esse histórico, acumulado, é mais útil do que parece. Com o tempo, ele te mostra qual ferramenta vive emprestada (e talvez precise de uma segunda unidade de verdade), qual quase não sai (e talvez nem precisasse ter sido comprada), e qual costuma voltar com atraso, e com quem. São perguntas que, sem registro, ninguém na empresa consegue responder.

Vale combinar uma regra na devolução: conferir o estado da ferramenta na volta. Voltou quebrada, faltando peça, desregulada? Esse é o momento de registrar, enquanto ainda dá para saber quem foi o último a usar. Ferramenta que volta com defeito e ninguém percebe vira a próxima a "sumir", porque na prática ela está lá, mas não serve.

Pare de comprar de novo o que a empresa já tem.

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5. A lista de cobrança já vem pronta

Toda a rotina das seções anteriores existe para alimentar uma coisa só: saber o que está fora e ainda não voltou. O sistema entrega isso em dois lugares, com propósitos diferentes.

A tela de devolução: tudo que está em aberto.

A própria tela de Devolução de Produtos não Consumíveis lista cada empréstimo em aberto como uma linha, com a data da saída, a data prevista de devolução, o produto, a quantidade que saiu, a quantidade já devolvida, a quantidade que ainda falta voltar, o documento de origem e o nome do requisitante que está com o item. Dá para filtrar por requisitante, para ver tudo que uma pessoa específica tem em mãos, ou por produto, para ver onde anda cada ferramenta. É a tela onde o almoxarife opera: consulta a situação e registra as devoluções, parciais ou totais.

O relatório de Devoluções em Atraso: só o que passou do prazo.

Para a cobrança, existe um recorte mais direto: o relatório de Devoluções em Atraso. Em vez de mostrar tudo que está em aberto, ele lista só o que já passou da data prevista de devolução, agrupado por estoque, com o produto, o requisitante, a data prevista e a quantidade que falta voltar. Há três versões dele, a geral, uma quebrada por estoques e uma de um estoque específico, então cada responsável puxa só a parte que é dele.

Na prática, isso muda a rotina de cobrança. Em vez de descobrir que uma ferramenta sumiu só quando alguém precisa dela, o almoxarife puxa o relatório de atraso no fim da semana e já vê, por estoque, quem está com o quê passado do prazo. A cobrança deixa de ser uma caça e vira um item de checklist.

E tem um efeito que aparece sozinho com o tempo: quando a equipe sabe que existe uma lista, que tem prazo, e que o atraso fica visível com nome, a ferramenta começa a voltar mais. O controle não serve só para encontrar o que sumiu; ele faz sumir menos.

6. Cada ferramenta no seu lugar, e quem pode pedir

Empresas com mais de uma unidade, oficina, obra ou setor têm um problema extra: a ferramenta da oficina não é a mesma coisa que a ferramenta da obra, e nem deveria sair misturada.

Com multi-estoque, cada local tem o seu próprio almoxarifado de ferramentas. A furadeira da Obra A está no estoque da Obra A; o jogo de chaves da oficina está no estoque da oficina. Quando alguém da obra faz uma requisição, ela atinge o estoque ao qual aquele requisitante está vinculado, não o catálogo inteiro da empresa. Isso evita que a ferramenta de um lugar seja emprestada como se fosse de outro, e o relatório de Devoluções em Atraso pode ser puxado de cada estoque separadamente.

Some a isso a permissão por estoque: você define quem é o almoxarife responsável por cada local e o que cada um pode fazer. A ferramenta passa a ter dono, não no sentido de quem a usa, mas de quem responde pelo controle dela. Quando algo não volta, está claro de quem é a lista de cobrança.

7. O comprovante assinado do empréstimo

O registro no sistema resolve a rastreabilidade. Mas no momento da entrega da ferramenta, um papel impresso ainda ajuda, pelo mesmo motivo que ajuda numa requisição de material comum: a assinatura.

A requisição impressa, com a ferramenta, o requisitante, a data de saída, a data prevista de devolução e um campo de assinatura, vira o comprovante do empréstimo. Quem pega assina. E isso muda o comportamento de duas formas.

A primeira é a responsabilidade objetiva: existe um documento, com nome e data, dizendo que aquela pessoa recebeu aquela ferramenta. Não é mais a palavra de um contra a do outro. A segunda é o efeito psicológico, que é mais forte do que parece. Quem assina pensa duas vezes antes de pegar uma ferramenta "só por garantia" e deixar parada, e pensa três vezes antes de deixar ela se perder. Saber que existe um papel com a sua assinatura faz a ferramenta voltar.

8. Como começar amanhã

Se hoje as ferramentas da sua empresa saem sem controle e voltam quando voltam, dá para montar o controle em poucos passos:

  1. Faça o inventário das ferramentas. Levante o que a empresa tem de furadeira, andaime, instrumento, escada, jogo de chaves. Você provavelmente vai descobrir que tem mais (ou menos) do que imaginava.
  2. Cadastre cada uma como item não consumível. É essa marcação que faz o sistema tratar a saída como empréstimo, e não como gasto.
  3. Defina, por estoque, onde cada ferramenta vive. Se a empresa tem várias unidades ou obras, cada local tem o seu almoxarifado de ferramentas e o seu responsável.
  4. Combine que, a partir de uma data, nenhuma ferramenta sai sem requisição. Com requisitante vinculado e data prevista de devolução preenchida. Sem exceção pra "rapidinho".
  5. Imprima a requisição na entrega e peça assinatura. O comprovante do empréstimo é o que sustenta a cobrança depois.
  6. Transforme o relatório de Devoluções em Atraso em rotina. Uma vez por semana, ele é a sua lista de cobrança. Quem está atrasado, cobra-se.

As primeiras semanas têm atrito, como em qualquer mudança de rotina de almoxarifado. Alguém vai querer pegar a ferramenta sem passar pela requisição, "que é rápido". Se ceder, o controle não nasce. Se segurar firme por um mês, a equipe se acostuma, e a pergunta "cadê a furadeira?" para de ser respondida com "sei lá, com alguém".

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Resumo

  1. Material consumível some e você repõe. Ferramenta "some" mas continua existindo: o problema é não saber com quem está.
  2. Controlar ferramenta como consumível faz ela desaparecer do controle na saída, e a empresa acaba comprando de novo o que já tem.
  3. O primeiro passo é o cadastro: marcar a ferramenta como item não consumível. Isso faz o sistema tratar a saída como empréstimo.
  4. A saída de item não consumível registra quem pegou e exige a data prevista de devolução. O prazo não é opcional.
  5. A devolução é feita no módulo Devolução de Produtos não Consumíveis e pode ser parcial: pegou 5 escadas, devolveu 2, o sistema controla o saldo que falta voltar.
  6. A tela de devolução mostra tudo que está em aberto; o relatório de Devoluções em Atraso recorta só o que passou do prazo, agrupado por estoque, com produto, requisitante e quantidade a devolver.
  7. Com multi-estoque e permissão por estoque, cada ferramenta vive no seu local e tem um responsável claro pelo controle.
  8. A requisição impressa e assinada é o comprovante do empréstimo, e o efeito de assinar faz a ferramenta voltar mais.
  9. Para começar: inventarie, cadastre como não consumível, exija requisição com prazo, imprima com assinatura e puxe o relatório de Devoluções em Atraso toda semana.

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